Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
NOVO ENDEREÇO
Podem encontrar-me
AQUI. Fico à espera.
Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
Sugestão
Chama-se 30 e picos e parece uma boa sugestão para visita. Aproveitem que está a começar. Não digam que eu não avisei. Vão e divulguem.
Domingo, 23 de Abril de 2006
Melomanias
Eclético será uma forma ligeira de qualificar o meu gosto musical, o qual dispara em direcções incongruentes, díspares, inconciliáveis, sem tino, norte ou padrão - de Bach ou Vivaldi a Einsturzende Neubauten. É o desnorte total. Uma subtileza de elefante em desinibida passeata em loja de cristais. Os Podcasts e as rádios on-line só vieram piorar o soneto que já não tinha grande emenda.
Como à que saber conviver com o que temos ou somos não vale a pena tentar perceber ou explicar, porque ninguém tem paciência para grandes devaneios psíquicos e depressões desgastantes. Imunizado contra devaneios pimbas, experiências género Delfins ou Santos e Pecadores ou dedilhados frenéticos tipo Dire Straits o meu gosto musical é um relicário acarinhado e apascentado com parcimónia. Há os nomes de sempre, como Tom Waits ou Miles Davis. As referências mais recentes como Arctic Monkeys, Editors,The Killers, Arcade Fire e Franz Ferdinand. As surpresas como Goldfrapp ou Ursula Rucker. As paixões, inultrapassáveis (que o tempo não apaga), como Cure, Smiths, Cocteau Twins, Peter Murphy, Pixies, Nirvana, David Bowie, David Sylvian, Morphine.
Houve uma época em que o arrazoado musical, geral, me fez voltar para nomes como Frank Zappa (à primeira vista, pelo menos, desfasados geracionalmente) o que fez com que, numa atitude de inspiração Lavoisieriana, nada se perdesse, de anos mais afastados, e tudo se transformasse abrindo os meus horizontes sonoros e inundando os meus ouvidos para sons inauditos até àquela altura.
A melomania é uma doença antiga que fez perigar muitas vezes o rigor orçamental. Foi fundamentada a SE7E ou Escrítica Pop e Blitz. Alimentada a XFM. Ampliada pela generosidade de António Sérgio. Salvaguardada pela critica de Nuno Galopim.
No fundo, no fundo, a verdade universal (dita supostamente por Duke Ellington, ou lá perto, e plagiada por um sem número), é a de sempre: só há dois tipos de música, a boa e a má. Venha lá a boa. Aliás, devia de existir uma indemnização atribuída a todos os que tivessem que conviver com música de qualidade duvidosa. A sua selecção devia ser sancionada. A sua produção devia obrigar a trabalho comunitário.
Quarta-feira, 19 de Abril de 2006
João Pedro George e Margarida Rebelo Pinto – Quem mais diz é quem mais é
A maior parte das pessoas começa a pensar que ter um Blog é meio caminho andado para vender livros, ou que é Blog logo dá livro. Fico aliviado de o móbil ser os livros porque se fossem pomadas anti-calicida ou contra as verrugas muita gente já teria desgastado os pedúnculos ante tanta oferta.
Ainda não me decidi sobre o que foi mais infeliz na antifada Margarida Rebelo Pinto/
João Pedro George provocada pela publicação do livro
Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto. Se analisar uma obra completa, ao que parece num fim-de-semana, (com semelhante capacidade de análise, a revisão da Enciclopédia Luso-Brasileira seria coisa para uma tarde) e opinar critica e hermeneuticamente, com enlevo, sobre ela, ou criar «anti-corpos» à publicação da análise de JPG que, segundo o que li, foi o que MRP tentou (leia-se uma providência cautelar que Margarida Rebelo Pinto e a Oficina do Livro requereram contra João Pedro George e Objecto Cardíaco, não especificada, com a finalidade de impedir a distribuição e venda da obra
Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto). Por um lado temos a liberdade de expressão, do outro pôr em causa essa liberdade quando não gostamos do estilo ou não nos cai bem o que fazem com ela. Tudo parece assente em dois sérios e sábios princípios:
- no princípio infantilizado do «quem mais diz é quem mais é» (tão popular no ensino primário e que não sabia importante para a literatura/crítica literária de qualidade);
- e no princípio do «deixa cá bater, já que está no chão, que não me faltará ajuda e eu tenho uns calhauzinhos, para atirar, mesmo à maneira».
Na Fnac, do Colombo, folheei e li na transversal o ópusculo de JPG (não fosse não ter visto utilidade até teria comprado), o que me permite por comparação com o que ele fez com MRP falar com propriedade sobre ele. Se pensarmos que JPG consegue o mesmo acerca duma obra inteira num fim-de-semana, proporcionalmente um quarto de hora possibilita o equivalente num livro de anorécticas páginas. Não gosto, particularmente, da escrita de MRP e particularmente é uma maneira cordata de dizer nada, mas tenho dúvidas quanto à importância e intuito de JPG. Até porque a comentar evidências acaba por não se sair do lugar comum e aí é pior a emenda do que o soneto. Parece uma daquelas evidências género Woody Allen que após anos de psicanálise o melhor que conseguiu arrancar do seu psicanalista foi ele dizer que ele precisava de fazer psicanálise.
Em todo caso, desafio JPG a fazer o mesmo com o Paulo Coelho, mas com a dificuldade acrescida de conseguir a análise da obra só num sábado à noite entre shots na Kapital. Apesar de tudo, identifico-me e simpatizo com JPG. Por três razões:
-gosto da espécie humana em geral;
-não gosto do que a MRP escreve;
-a minha personalidade electrizante também tem como propriedade cativante dizer mal (em abstracto ou em particular).
A primeira razão leva-me a não antipatizar com ninguém em especial transpondo, voluntariamente, a minha ira para o fisco, a TV Cabo, as taxas de juro, o preço do petróleo ou alguma indústria de desodorizantes que não atenta nos CFCs.
Em relação à segunda razão não me deu para escrever, deu-me para não comprar. Ainda hoje me parece mais sensato, até porque sempre que não gosto de alguma coisa tivesse que escrever um livro teria que me desempregar para ter mais momentos de ócio (que apesar de tudo é, ainda, hoje mais preenchido pelas pessoas com palavras cruzadas e com a RTP Memória do que a escrever «crítica literária») havendo mesmo assuntos que não consigo explicar com propriedade como, por exemplo, a razão porque gosto mais de iogurtes líquidos do que com pedaços. Infelizmente, a minha opção tem a desvantagem manifesta de não ganhar dinheiro com ela. A terceira razão existe porque acho importante defender os nossos iguais, estou até tentado a fazer a crítica da crítica - de JPG - (coisa para duas páginas - já com agradecimentos - a dois espaços) , afinal estou a precisar duns cobres e de notoriedade.
Deixo, no entanto, um pedido: pensem nas árvores. Já basta os fogos. À facilidade com que publicam, no final da vossa vida terão salvo o equivalente a três Amazónias e cinquenta parques naturais do Gerês.
Segunda-feira, 17 de Abril de 2006
Técnicas dietéticas
Longe vão os tempos em que o maciço das formas inspirava nomes como Rubens. Actualmente, a gordura já não é formosura, atormenta o Prof. Fernando Pádua e vai a caminho de dar emprego a um milhão de portugueses (uma vez que as clínicas dietéticas eclodem que nem cogumelos) como o vinho no tempo de Salazar. Dieta tornou-se uma palavra de ordem.
Pensar no que não se pode comer é por si só uma óptima ocupação para queimar calorias. Bate aeróbicas e musculações sem as desvantagens sudoríferas. A obsessão por conseguir a silhueta perfeita faz com que existam pessoas a quem parece ter sido implantado, à nascença, um dispositivo que lhes permite uma rápida contagem das calorias presentes em cada alimento que lhes passa pelo estreito, uma espécie de conta kilómetros calórico, modelo última geração. Para essas pessoas, uma maçã deixa de ser uma maçã passando a ser um amontoado de calorias. Isto para não falarmos de um bolo ou uma sopa, até chegarmos à refeição completa paradigma, por excelência, dessa angústia pelo produto calórico. A refeição deixou de pertencer ao puro prazer gustativo para se tornar num complexo e exigente raciocínio matemático baseado em cálculos oriundos de uma intrincada decomposição dos alimentos nos seus constituintes nucleares. Conhecidos que são os méritos portugueses na aritmética, a Tabuada do Ratinho voltou a ser um êxito editorial e um auxiliar imprescindível para os cálculos calóricos.
A dieta é uma coisa que, para mim, só faz sentido se a considerar na forma tentada. Nunca na forma executada ou em vias de concretização. Em virtude desta situação, a inveja pelas adónicas proporções dos membros do mesmo sexo com as imaculadas dentaduras e bíceps, tríceps e catatríceps faz com que se manifeste em mim uma natural depressão pós-comi demais e tenho o bucho cheio como o papo duma galinha virulenta. A minha cuzampeira padece de uma dormência congénita, proporcionada pelas horas amarfanhado na cadeira frente à televisão ou PC. A minha personalidade atlética imobiliza as minhas entremeadas nalgares, até entesicarem de ócio, pelo que o exercício físico para mim se localiza ao nível do carpo e metacarpo por via do zapping. Apesar de tudo, a dieta criou em mim anticorpos. Se a vacina antigripal conseguisse algo equivalente não teríamos gripe na família num prazo nunca inferior a dois séculos.
A dieta molda a força de vontade (em virtude da persistência exigida), conquista-nos auto-estima e realça-nos o abdominal. Por cada 100g de gordura perdida ganha-se, à vontade, 250g de força de vontade e, em média, 150g de auto-estima. Até ao final duma dieta é possível arranjar 15 quilos de força de vontade e 8 a 8,5 quilos de auto-estima. Só por isso vale a pena, não percebo como não fico convencido.
É possível constatar que ao nível das senhoras o aumento da idade é inversamente proporcional à quantidade de tecido usado: mais idade menos tecido. A partir dos quarenta dá-se um aumento do género Shakira (também conhecido por tesuda madura), popular entre as senhoras que acham que quanto mais apertada for a roupa e berrante melhor. A asfixia e a interrupção sanguínea tornam-se, momentaneamente, (até ao desfalecimento) um auxiliar imprescindível para a silhueta perfeita. São técnicas, cada um sabe de si.
Domingo, 16 de Abril de 2006
O erro de Descartes?
«O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída: de facto, cada um pensa estar tão bem provido dele, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em todas as outras coisas não têm de forma nenhuma o costume de desejarem [ter] mais do que o que têm.»
Descartes, Discurso do Método, I Parte, ed. cit., p. 11.
Em tempos fumei. Bem e com gosto. Exageradamente. Anos a fio. Deixei-me disso há uns anos, numa altura em que quase arremessava pela boca, diariamente, um pulmão logo pela manhã por entre a espuma do Lux (que, ainda, não me fez uma estrela de cinema). Passei, a custo, para a liga dos fumadores ocasionais. Actualmente, consigo suprir o vício com umas cigarrilhazitas snobecas que me dão ar de novo-rico pouco convincente e convencido. Como temo mais pela minha força de vontade do que pelas sábias decisões de Bush (tanto porventura também não) fico-me pelas ditas uma vez que a minha confusa lógica íntima faz com que não volte a fumar convictamente com as cigarrilhas ao contrário do que aconteceria com o tabaco (mesmo que ocasionalmente). Apesar de tudo, face aos novos desenvolvimentos (fumar ou não em restaurantes) da moral maltrapilha e como tenho tendência para ser do contra ando a invejar a reincidência. Odeio perseguições, mesmo que bem intencionadas. Acabam em exageros. Em demandas pelo sexo dos anjos. Tornam-se ridículas. Mas ridiculamente perigosas.
Diariamente somos avisados, admoestados, emprenhados auricularmente quanto aos malefícios do tabaco. Há um autêntico bombardeamento de informação que é diariamente televisionado, impresso, mandado borda fora hertzianamente, cujo intuito é a diminuição de subscritores do tabaco, que é como quem diz de fumadores. Da inclusão de um número inesgotável de avisos que ocupam a quase totalidade da superfície da embalagem, que cobre os malfadados cigarros e que, anteriormente, era exclusivamente coberta com o nome da marca da preferência que agora proporcionalmente ocupa uma nesga à Iron Maiden tudo é passível de utilização para demover o empedernido fumador.
Esta situação, como todas as que têm na sua base boas intenções (que chegam e sobram para encher dois infernos), tem alguns problemas. Sim, ninguém tem que ser forçado a ser fumador passivo. Sim, ninguém é obrigado a deglutir o fumo alheio. Sim, é naturalmente, meritória qualquer tentativa de campanha com vista à diminuição das doenças provocadas pelo tabaco. Mas daí à transformação do fumador numa espécie de pária amesquinhado... Passámos de um problema de saúde pública para paranóia generalizada e regulamentada. É isto que é o apregoado bom senso evocado amiúde e que, supostamente, tem mais resultados positivos do que a Aspirina? Fazia outra ideia do dito.
Não dá para conciliar o melhor dos dois mundos? Por exemplo, por cá temos as gémeas Esteves Cardoso mas afortunadamente ao contrário das gémeas Olsen (que nos podiam ter calhado), felizmente, não fazem filmes. Já não é mau.
Será que Descartes não tinha razão e, afinal, o bom senso não está assim tão bem distribuído? Ah, já agora, vai uma passa?
Sábado, 15 de Abril de 2006
A quermesse
Do que eu tenho mesmo saudades é de uma festarola popular. O cheiro a sardinha assada. Os foguetes. As bandas de música. Há quem anseie pelo Agosto para esturricar ao sol mas eu anseio pelo Agosto porque sei que cada dia seu tem, em média, 20.75 festas a desenrolarem-se em simultâneo. É nessas alturas que percebo que não é a imortalidade que falta à espécie humana, não é a seborreia que a atormenta é, sim, na ubiquidade que ela falha.
As festas populares portuguesas são um universo magnífico onde co-habita o sagrado e o profano, o pimba e o esganiçado folclórico e, obviamente, a tradição. São um acontecimento imperdível. Os gregos têm o Parthenon mas nós temos as festas tradicionais.
Tudo tem início com a escolha da farpela a usar durante as anuais comemorações, algo preferencialmente garrido, berrante ao ponto de quase cegar. Os foguetes não dão tréguas ao silêncio. A filarmónica da terra açambarca o coreto. Os grupos de baile reinventam os clássicos e os recentes êxitos da Pop, ao ponto de ficarem irreconhecíveis. Os bombeiros deleitam a populaça com a sua vibrante fanfarra, sempre na ânsia de conquistar a dita para a compra do ambicionado auto-tanque, ou se a localização do centro de comandos for no litoral, de umas motas de água modelo Baywatch, mas sem Pamella Anderson de silicone. Por essa altura, os toiros evitam o contacto com humanos pois sabem que vão acabar espetados no meio da praça e, se houver entusiasmo suficiente, sem rabo e orelhas que a lei nem sempre está atenta. O cheiro a velas mistura-se com o cheiro do algodão doce e a tinto derramado.
No entanto, de entre a tonelada de eventos ofertados anualmente pelas comissões de festas destaca-se, sem desprimor para todos os preteridos, a quermesse. A quermesse é uma instituição. Nela é possível encontrar objectos de impensáveis naturezas e utilidades. De géneros por estabelecer. Para sexos inexistentes. De cores por identificar. Ela é o ponto alto de qualquer festa que se preze, o seu ex-líbris. Para infelicidade do cura, o dia em que sai o primeiro prémio da quermesse rivaliza com o dia em que a santa da terra, revestida a ouro e impermeabilizada a euros, sai à rua para arejar a fé dos convivas.
O desenrolar da rifa é, ele mesmo, quase um ritual sobrenatural. A televisão, oferecida pela maior instituição de electrodomésticos do sítio, para servir de primeiro prémio é a coroa de glória só concedida aos afortunados pelos deuses. Muitos anos depois, falar-se-á, com inveja, no dia em que sicrano ou beltrano ganhou a quermesse. Ele foi, sem dúvida, esse ano o rei da festa.
Quinta-feira, 13 de Abril de 2006
O fdp e o gajo porreiro
Antipatizo com gajos porreiros. Pressinto má fé. Suspeito das suas intenções. Que apesar de boas enchiam dois infernos. Os gajos porreiros são politicamente correctos. Não hostilizam. Não afrontam. Não põem em causa. São deslavados. Gostam de toda a gente, mesmo de quem os odeia.
O gajo porreiro não tem fibra. É o Mr. Bean a pensar-se Maquiavel. É um lambe-botas. A sua coluna vertebral parece as curvas da Falperra. Põe-se em bicos-dos-pés para se fazer ouvir. É um caga-tacos.
Os gajos porreiros falam por meias palavras. Não querem ser apanhados em falso. Não se querem comprometer. Nunca dão a cara. Têm medo do que vão pensar. Invejam o homem invisível.
Prefiro o fdp. De longe! Dá mais garantias. Votaria vitaliciamente num candidato que se apresentasse como um valente fdp. O fdp não tem papas na língua. É arrogante. Não se compadece com discrições. Não se comove com argumentos.
O fdp não existe para agradar aos outros. Não quer fazer amigos. Não vai em panelinhas. Faz o que lhe dá na bolha. Não é de falinhas mansas. Diz o que pensa. Contesta. Leva tudo à frente se for caso disso.
A política portuguesa está entregue a gajos porreiros. Respeitam cotas. Temem sanções. São os únicos que se preocupam com critérios de convergência. Querem passar por europeístas. Temem Bruxelas. Abdicam do que deviam reivindicar, porque não querem guerrear. Têm alianças centenárias. Dão jantares. Muitos jantares. Tantos que davam para acabar com a fome em África. Perdem-se em condecorações.
Não vejo o dia em que Portugal seja um país entregue a um grande fdp.
Segunda-feira, 10 de Abril de 2006
Migração para a nova plataforma do sapo
E pronto está, finalmente, feita a migração do (De)Bater no ceguinho para a nova plataforma de blogs do Sapo (que afinal é boa, pelo menos na minha opinião). Uns quantos liftings, uma corzita aqui, outra acolá e feito. Foram ajuda preciosa o blog que o sapo criou para esclarecer as dúvidas sobre a nova plataforma e este.
Quinta-feira, 6 de Abril de 2006
Adeptos de futebol
Nem vale a pena dizer com quantas letrinhas se escreve, porque é de fácil identificação. Prefere que caia a ponte do rio Kwai (ou outra qualquer não imortalizada em assobio) enquanto a atravessa, mesmo que acabe no bucho de um crocodilo esfaimado, a ceder.
Prefere ser atacado pelo Alien e pelo Predador, em simultâneo, a mudar de ideias. É um fenómeno de proporção suficiente para o Entroncamento. Falamos, obviamente, dos adeptos de futebol.
Porque não mudam os adeptos de futebol de clube quando os maus resultados se acumulam? Porque não há arrependidos? Gente a querer pular a cerca clubística? É defeito? Feitio? Orgulho? Tudo isso e outro tanto? Exigiria renovação de guarda-roupa?
O adepto de futebol é o único simpatizante de uma actividade que não altera a sua opção inicial um milímetro, mesmo que ela se revele uma má escolha durante décadas. Mesmo que a decisão fosse feita numa idade em que a principal preocupação era conseguir controlar as excreções capazmente.
Um pescador desportivo pode reconsiderar no isco. Um tenista na raquete. Um piloto de fórmula um na escolha de pneus. Mas um adepto não muda de clube. Não há casos registados. Nem tentação. Não lembra nem ao diabo que, supostamente, é troca tintas.
O adepto não cede na desilusão. Não necessita de Prozac, Xanax ou outro indutor de felicidade.
O adepto não muda de ideias. Não troca de clube mesmo na derrota. Não inveja clube alheio. Não hesita ante a derrota. Tem memória selectiva: apaga embaraços; recalca humilhações; esquece transferências para o clube rival.
Não perdoa maus resultados mas esquece-os na próxima vitória. O Benfica perdeu. Paciência! A adepto que é adepto não importa resultado.
(C)2006, Carlos Alves, Powered by Sapo